quarta-feira, 9 de março de 2011

TIRADENTES-MG


TENTEI IMITAR CARLOS DRUMMOND DE ANDRATE! NEM NA POSE EU CONSEGUI!!!!!!!!!

terça-feira, 8 de março de 2011

BANCO VAZIO



Havia um banco vazio, a me esperar, a te esperar!
Ele estava lá, só, sozinho a nos esperar!
Havia um Banco Vazio a contemplar a luz, a água o ar.
Acima de si apenas o céu, abaixo a terra!
Lá estava ele, forte plantado, perseverante!

Havia um banco vazio! Desbotado do sol!
Perdeu a cor, mas não o valor!
Por isso ele continua, segue a esperar, sem desanimar!
Sua esperança é alimentada pelas glórias do passado!
Saudoso a venerar, contudo forte a sonhar, a te esperar.

Havia um banco vazio, a me esperar, a te esperar.
Seu sonho é como a chama que insiste a queimar.
E tem como lenha a paisagem que o aprisiona.
Tão bela e bucólica, clara e escura,
Havia um banco vazio a contemplar!

O sol é a sua força, a lua sua calma.
Ele me convida, te convida, o seu pranto acalmar,
Sua alma restaurar e as estrelas fazer brilhar.
Ele quer retornar a seus tempos de glória,
Ao primeiro amor voltar. E afirma:
“Eu garanto”, amor eterno encontrará!

Havia um banco vazio a me esperar, a te esperar!
E nos convida confiante: “Venha em mim se assentar,
Tua cabeça reclinar e beleza sem fim contemplar”.
Olhe! Contemple! O lago, o sol, a lua, as estrelas.
Sinta! Experimente! O ar, o calor, o frio a vida.
Observe a noite e seus habitantes discretos.
O dia e os toques suaves do artista.

Eu te convido! Vem em mim descansar,
Enfaixar suas feridas. Se a mim você vier,
este presente lhe darei e alegria encontrarás.
Havia um banco vazio! Hoje não há!
Pois nos encontramos num eterno assentar!


Fotografias tiradas no Centro de Convenções Israel Pinheiro em Brasília, casa de Encontros dos Salesianos de Dom Bosco, lugar onde também me inspirei para escrever o poema.

LOUVOR A CHUVA



Ansioso esperava, persistindo aguardava
O fenômeno natural que este ano tão tardara!
Necessidade expressava homens e mulheres
Gente comum da burguesia ou bastardo.
Crianças e anciãos, com força clamavam
Venha do alto, oh! Tão pura água!

A terra tem sede, avermelhada soprava,
Sobre as murchas folhas as vezes queimadas!
Desastres se viam nas nuvens cinzentas
Que ao céu quase tocavam, nas duras queimadas!
Animais desfaleciam, na dureza do dia
Só o homem não via dolorosas ações.

A tristeza pairava na tão alegre natureza
que despida de tua tão grande beleza
gemia e chorava qual mulher em dores de parto
no silencioso grito que nos becos ecoava
afim de suas vozes juntar e um único clamor entoar
aos seres do alto e um novo canto cantar.

Dou graças aos céus que o meu canto ouviu
E sem reservas o meu pedido provil
Do alto, da longínqua imensidão nos enviou
Tão bela e pura a torrencial chuva
Que tão forte e imponente a sede saciava
Dos miseres que desiludidos pastavam!

Oh! Glória! Alegria e Louvor! Entoemos em coro
Por tão grande e esperada visita amiga
Que aos campos vem os prantos enxugar!
Que a cor desbotada faz cintilar, realçar,
Quão grande beleza brutalmente demasiada
Pela força, pela dor, no ardor da forte chama.

Olhe! Contemple! Viva tão grande beleza
A beleza dos verdes campos e a pureza do ar
Que as narinas vêm visitar e a alma acalmar
Coroando-nos com tão valioso presente divino
Composto por dois hidrogênios e um oxigênio
Que sobre nós vem derramar afim de a vida transformar.

Quero sair, correr e brincar
Sob os fortes pingos em meu rosto a rolar
Faço a infância voltar, na alegria do meu peito a pulsar
Ah! Faço festa, entôo canções e rimo meus versos
Em um grande louvor a irmã água
Que do céu me visita e provocante minha vida ínsita.


Fiz esse poema após ficar 7 meses sem ver a água cair do céu. Foi um tempo braboooooo! Gosto muito do tempo chuvoso e como hoje está essa chuvinha gostosa aqui em Barbacena resolvi publicá-lo!

segunda-feira, 7 de março de 2011

A Luta pela Vida


Foto: Denis Dutra Marques - Colégio Salesiano de BH

Sejamos assim como esta planta, insistente, ousada, confiante, pois somente assim alcançaremos nossos objetivos! Boa reflexão a todos!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O SOM DA JANELA


MANSO, CALMO E LENTO, SURGE COM O VENTO
ELE VEM DA JANELA, OU MELHOR, ALÉM DELA.
MEU CONCERTO MATINAL, DIÁRIO E REAL,
SEGUE UM RÍTIMO. SENTO-ME CONFORTÁVEL,
CERRO OS OLHOS, CONCENTRO-ME NA RESPIRAÇÃO.
LOGO O MAESTRO ANUNCIA O SEU INICIO.
O CORO DOS BEM-TE-VIS ANUNCIA GLORIOSO,
“DEUS É BOM!” EM VÁRIAS VOZES E TONS.
OS CANÁRIOS, BONS TENORES, DÃO SEQUÊNCIA A ÓPERA
E TORNAM MEU CONCERTO MAIS COLORIDO; TÃO MELÓDICOS
RECHEADOS DE TONS E SEMITONS.
OS TRINCA FERROS E AS COCOTAS CONTRIBUEM,
VOAM COMPASSADAS NO ESTRIBILHO DA CANÇÃO.
O TREM APITA AGUDO E ANUNCIA O REFRÃO,
OS INSTRUMENTOS SE UNEM FORMANDO UM SÓ SOM,
UM BELO CORO, UMA BELA ORQUESTRA, QUE CONCERTO!
O CÃO LADRA ANUNCIANDO O SILÊNCIO NA PAUTA.
E SE TEM INICIO A SEGUNDA ESTROFE,
A SINFONIA DOS PÁSSAROS REGE O SOM
E BELAMENTE REPETEM O CANTO EM SEU TOM.
OPA! UM RUIDO ESTRANHO, UMA DISTRAÇÃO.
PUTZ! PERDI AQUELE AGUDO DO CANÁRIO.
E SEGUE MEU CONCERTO MATINAL E PARTICULAR.
O MAESTRO OS CONDUZ AO FECHAMENTO,
E O BEM-TE-VI FINDA ACLAMANDO,
PAI, FILHO E ESPÍRITO SANTO!

SOU FEITO DE PALAVRAS


SOU FEITO DE PAÇAVRAS,
PALAVRAS REAIS QUE ME LEVAM AO ABSTRATO,
ME LEVAM AO MUNDO DOS SONHOS,
DOS SONHOS VERDADEIROS NAS FALSAS VIDAS QUE LEVAMOS.
SOU FEITO DE PALAVRAS,
PALAVRAS ABSTRATAS SIM, DOS ADJETIVOS QUE SE SOMAM AOS SUBSTANTIVOS AFIM DE SE UNIREM AO VERBO.
NEM SEMPRE ESSA LIGAÇÃO É DIRETA,
MAS MESMO SENDO INDIRETA NOS GARANTE UM SENTIDO.
SOU FEITO DE PALAVRAS...
PALAVRAS BELAS E SEM BELEZA, PORÉM PROFUNDAS
CAPAZES DE TORNAREM “CRÍTICO” O TEXTO DA NOSSA VIDA.
PALAVRAS RITIMADAS QUE DANÇAM NA MELODIA,
E PALAVRAS EM VERSOS FEITO POESIA.
SOU FEITO DE PALAVRAS...
PALAVRAS GRANDES QUE OFENDEM E DIVIDEM,
E TAMBÉM DAS PEQUENAS QUE UNEM, COMO OS ARTIGOS QUE DEFINEM. CONTA GOTAS AS VEZES, METRALHADORA NEM SEMPRE.
SOU FEITO DE PALAVRAS...
PALAVRAS SOUTAS E EM TEXTOS ÁS VEZES SEM CONTEXTO,
QUANDO ASSIM ME PERCEBO, LEMBRO-ME DE QUANDO AINDA NÃO ERA PALAVRA,
E LETRA APÓS LETRA CONSTRUO PALAVRAS DANDO
OUTRO RUMO A HISTÓRIA, AO MEU TEXTO.
SOU FEITO DE PALAVRAS BOAS,
PALAVRAS QUE ALIMENTAM, AJUDAM E EDUCAM.
SOU FEITO DE PALAVRAS DE DIFICIL COMPREENSÃO,
PORÉM COM SIMPLES TRADUÇÃO.
PALAVRAS ALTAS,
MAGRAS,
PESADAS,
RÁPIDAS,
FORTES,
GLAMUROSAS
E POBRES.
EMFIM SÃO SÓ PALAVRAS;
SIMPLES PALAVRAS QUE FORMAM TEXTOS DE DIVERSOS CONTEXTOS,
PORÉM CHEIOS DE VIDA, DE HISTÓRIAS.
SOMOS TODOS PALAVRAS, TEXTOS, HISTÓRIAS.
LIVROS DE DIVERSAS EXPESSURAS, PORÉM DE MENSAGENS RARAS.
LIVROS VAZIOS, ÀS VEZES, COM PALAVRAS ESCONDIDAS
NAS PAGINAS EM BRANCO QUE AINDA PODERÃO SER ESCRITAS, CORRIGIDAS, REESCRITAS E IMPRESSAS.
NÃO SEI MUITO SOBRE A VIDA, APENAS SEI QUE SOU FEITO DE PALAVRAS!

DEDICO ESTE POEMA A MINHA AMIGA POETISA E FILÓSOFA CLAUDINHA (GAMA-DF // UCB) QUE ME ENSINOU PERCEBER-ME COMO PALAVRA!!!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Mensagem do Dia...

"Sede Santos como o Pai é Santo" (Mc)

"As Coisas que não imaginamos geralmente são as coisas que Deus imagina pra nós!" (EU, kkkkkk! profundo isso!)

QUERO SER POETA


ÁS VEZES ACORDO E PROCLAMO:
QUERO SER POETA!
MAS COM CARA DE PATETA ME CHAMAM DE LOUCO,
ACREDITO QUE LOUCO É MUITO POUCO!
QUERO FAZER MUITO MAIS QUE LOUCURA,
VOU DAR ASAS A QUEM SONHA VOAR,
CAMINHAR COM QUEM DESEJA CHEGAR,
E DEITAR COMO QUEM ESTÁ A COMTEMPLAR!
NUNCA VOU DEIXAR DE SONHAR,
SONHAR É O CUMBUSTÍVEL DO VIVER.
QUERO SONHAR ACORDADO, SONHAR COM OS PÉS NO CHÃO.
QUERO SER POETA!
POESIA É MAIS QUE PROFECIA,
POIS O TEMPO ANUNCIA A CHEGADA DE UM NOVO DIA.
CRISTO É POETA,
E POETA DOS BONS,
POIS NOS ENSINA NA PAIXÃO-ALEGRIA,
TRADUZIRMOS A VIDA,
EM VERSO, RIMA, EM POESIA.
QUERO SER POETA!
SER POETA É ALIMENTAR QUEM TEM FOME,
CONVIDAR QUEM NÃO TEM UM NOME,
ACREDITAR EM QUEM PERDEU A FÉ.
SER POETA É PROMOVER A VIDA,
ENFAIXAR DO FRACO A FERIDA,
ERGUER TODO AQUELE QUE NÃO SE ENCONTRA DE PÉ!
SER POETA É TRADUZIR AS HORAS DA VIDA,
EM UM BELO E SANTO POEMA QUE NOS PROVOQUE A DIZER,
QUERO SER POETA!

sábado, 19 de fevereiro de 2011

SANTIDADE HOJE!!!

SANTIDADE HOJE é o nome da minha mais nova canção! Fala do jeito Salesiano de Santidade, que implica em SER SEMPRE ALEGRE e CUMPRIR BEM SUAS TAREFAS!
Fala de uma geração Juvenil renovada e destemida. Vale a pena escutar!!!!!!!!

GOSTO DAS PALAVRAS


GOSTO DE BRINCAR COM AS PALAVRAS!
GOSTO DE RIMAS, GOSTO DE VERSOS E TAMBÉM DOS REVERSOS.
GOSTO DE OUVIR OS SONS!
O SOM DAS CANÇÕES E DOS CORAÇÕES!
GOSTO DE OUVIR AS MELODIAS COMPOSTAS PELAS SINFÔNICAS, ARMÔNICAS E FILARMÔNICAS NO ORDINÁRIO DESTA VIDA.
GOSTO DA FELICIDADE!
GOSTO DO SORRISO REAL, DOABRAÇO SINCERO
E DO CONSELHO DE GRAÇA!
GOSTO DOS JARDINS!
OS JARDINS DAS FLORES, DAS BORBOLETAS,
DOS OLHOS AZUIS E DAS CONVERSAS ROMÂNTICAS.
GOSTO DA NATUREZA!
A NATUREZA DOS PÁSSAROS, DAS PLANTAS E DAS CABEÇAS BIODIVERSAS.
GOSTO DAS CRIANÇAS!
AS CRIANÇAS DO SORRISO, DO ABRAÇO;
AS CRIANÇAS DAS CRIANCICES.
GOSTO DO AZUL!
AZUL DO CÉU, AZUL DO MAR E O AZUL DO ARTISTA.
GOSTO DA RELIGIÃO!
A RELIGIÃO DA FÉ, DA ESPERANÇA E DA CARIDADE.
GOSTO DAS TARDES...
TARDES DE POR DE SOL, DOS PASSEIOS CICLÍSTICOS,
TARDES DAS BRINCADEIRAS DE CRIANÇA
GOSTO DAS PESSOAS...
DAS PESSOAS QUE PRODUZEM A VIDA, QUE PRESERVAM A VIDA
E DAS PESSOAS QUE DOAM SUAS VIDAS POR AMOR.
GOSTO DAS BAGUNÇAS...
DAS BAGUNÇAS QUE ORGANIZAM A VIDA,
DAS BAGUNÇAS AUTÊNTICAS E SINCERAS.
GOSTO DE TANTAS COISAS, SOBRETUDO DAS PALAVRAS.
DAS PALAVRAS QUE ME PERMITEM ETERNIZAR ESSES VERSOS INFINITOS QUE TRAGO NO MEU CORAÇÃO.

(Esse poema eu dedico a Minha AMIGA-IRMÃ Daryene, que faz Aniversário Hoje!) Parabéns Dary!!!!!!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

PRESENTE LUNAR


Hoje eu quero te dar um presente, o presente mais belo da noite, um presente de coração para coração. Quero te dar a majestosa e imponente dama da noite, a mais bela e pretensiosa luz que ilumina sem ser própria, ela é bela, é cheia, é mito, é paixão. Quero te dar a lua, a mais cheia de todas, completa, rainha. Assim como eu, você nem sempre a verá, contudo ela sempre te visitará, lenta, calma, silenciosa, sem pedir licença invadirá a janela do seu quarto e te convidará, te seduzirá olhando em teus olhos te conduzirá aos pensamentos mais longínquos do coração e invadindo o seu ser roubará de ti seu tempo mais precioso na atenção gasta contemplando tamanha beleza. Hoje eu quero te dar um presente, o mais belo e terno presente. Quero te dar a lua porque assim como eu, ela não possui luz própria, e nos engana com seus raios que emana. Assim também sou eu, sem você sou apenas um objeto, mas quando a tua luz me atinge, a reflito como se fosse minha, é você que faz isso comigo. Hoje eu quero te dar um presente, quero te dar a lua, a lua mais cheia e bela das noites, quero entregar-te sem embrulhos para não comprometer a estética do produto, contudo ela vem em uma caixa enfeitada, uma caixa negra e vasta, desproporcional ao seu tamanho, todavia, dentro dela existem milhares de fragmentos da lua, que vem como brinde. Hoje quero te dar um presente, quero te dar a lua dentro da imensa caixa do universo recheada de todas as estrelas do céu, cada estrela representa os dias em que tive você no pensamento. Cada estrela nos permite viver dia após dia juntos, pois quando não podermos mais contá-las, não poderemos mais amar-nos. Hoje quero te dar um presente, quero te dar a lua completamente nua, sem mancha e pura, sem máscaras, imácula assim como você, minha luz, meu ser, meu bem querer. Quero te dar um presente sem exigir muito em troca, quero te dar a lua e a única coisa que te peço é fazer do meu peito o seu travesseiro onde o calor do nosso corpo produza a luz que faz a estrela brilhar e assim possamos juntos a lua contemplar, e assim vivamos o resto de nossos dias contemplando o presente mais belo que eu fui capaz de lhe dar. Hoje eu quero te dar um presente, e o meu presente é eu e você.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

New Single

QUERO TRANSFORMAR EM CANÇÃO é minha nova música. "Quero transformar em canção os versos que trago no coração!" Ela surgiu após um profundo momento íntimo de espiritualidade na tarde de hoje! E Realmente é o que eu quero cantar hoje, "quero transformar os versos puros e simples na minha vida em grandes e eternas canções"

sábado, 6 de novembro de 2010

Passeio de Helicóptero em Caldas Novas

A resposta capixaba

O título deste artigo - "A resposta capixaba" - já tinha sido escolhido para comentar os resultados das eleições presidenciais no Espírito Santo quando o governador eleito Renato Casagrande disse, segunda-feira no CBN Cotidiano, que a vitória de Serra sobre Dilma no Estado era "uma resposta" dos capixabas à demora do governo federal em resolver "gargalos da infraestrutura" como o aeroporto de Vitória, a ampliação das BRs 101 e 262 e a dragagem do Porto de Vitória.
Casagrande tem razão, mas à lista de "dívidas" do governo federal podem ser adicionadas muitas outras pendências tão prometidas quanto negligenciadas pelas nossas autoridades. Entre elas estão os recursos para projetos de mobilidade urbana que nunca vieram - lembram-se do metrô de superfície? - e para a área de segurança pública. Na saúde é ainda pior, pois os recursos federais foram diminuindo ao longo do tempo deixando a batata quente para ser descascada pelo Governo do Estado.
O fato concreto é que o Espírito Santo engorda os cofres federais com os impostos que paga e recebe de volta um décimo do total. E não há à vista perspectivas de que esse quadro possa se modificar em curto prazo já que os olhos do governo federal estão voltados para investimentos nas cidades que irão sediar a Copa de 2014. No caso da BR 101, por exemplo, o orçamento da União só prevê investimentos no Nordeste e no Sul. O porto de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, como revelou em texto publicado nesta mesma página o professor Roberto Simões, irá receber quatro vezes mais dinheiro que os portos capixabas.
E não vale argumentar que o governo federal investe no Espírito Santo através da Petrobras. A Petrobras investe recursos que obtém com as suas operações e não de impostos arrecadados pelo governo federal. Sem contar que o Espírito Santo é, entre os maiores produtores de petróleo, o único que não conta com um estaleiro. Uma refinaria, então, nem pensar. Até o governador Paulo Hartung, nesta semana, entrou na briga contra uma exigência da Petrobras que prejudica os planos de implantação no Estado de um estaleiro da Jurong.
E por falar em petróleo, não há como tirar do governo federal as responsabilidades de o Espírito Santo perder os royalties que poderiam representar a sua redenção econômica depois de tantos anos de discriminação. Especialistas garantem que o governo federal não precisaria mudar a lei do petróleo - passando do regime de concessões para o de partilha - para assegurar maiores recursos na exploração do pré-sal. Bastaria mudar, através de um decreto, as participações especiais que existem na atual legislação. Ao propor uma nova lei, o governo federal abriu espaços para que surgissem as emendas Ibsen, na Câmara, e Simon, no Senado, que dividem com todos os estados os royalties que eram exclusivos dos estados produtores. E as emendas foram aprovadas sob os olhos complacentes do governo.
A decisão deixa o Rio e o Espírito Santo reféns de uma promessa - que talvez nem seja cumprida - de Lula vetar a emenda, o que também não é garantia de que o Congresso não derrube o veto posteriormente. Resta a esperança de que seja pelo menos aberta uma negociação que preserve os royalties das áreas já licitadas o que pelo menos faria com que o Rio e o Espírito Santo não perdessem o que já têm. Daríamos adeus aos sonhados royalties do pré-sal, mas pelo menos não perderíamos os dedos e os anéis de uma só vez.
O recado dos capixabas já foi dado nas urnas. Seria bom que todos os políticos o entendessem, e dele tirassem lições, como parece que já foi feito pelo governador eleito.

José Carlos Corrêa escreve nesta coluna aos sábados.
E-mail: jccorrea@redegazeta.com.br

PASSEIO SOCRÁTICO

Ao viajar pelo Oriente mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos e em paz nos seus mantos cor de açafrão. Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam.
Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: 'Qual dos dois modelo produz felicidade?'
Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: 'Não foi à aula?' Ela respondeu: 'Não, tenho aula à tarde'. Comemorei: 'Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde'. 'Não', retrucou ela, 'tenho tanta coisa de manhã...' 'Que tanta coisa?', perguntei. 'Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina', e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: 'Que pena, a Daniela não disse: 'Tenho aula de meditação!'
Estamos construindo super-homens e super-mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados.Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos:
'Como estava o defunto?'. 'Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!' Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?
Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizi­nho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual. Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. E somos também eticamente virtuais...
A palavra hoje é 'entretenimento?; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: 'Se tomar este refrigerante, calçar este tênis, ­ usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!' O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba­ precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.
O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, auto-estima, ausência de estresse.
Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shoppings centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo.. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...
Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do Mc Donald...
Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: 'Estou apenas fazendo um passeio socrático. ' Diante de seus olhares espantados, explico: 'Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia:
"Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz !"

Frei Betto