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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Para Refletir

"Brasil! Mostra a tua cara quero ver quem paga pra gente ficar assim!"


Recadinho do coração para uma alma possivelmente crítica

Observe a Imagem!
Observou? Então pronto, vamos começar!
-Você conhece esse senhor da imagem?
-Senhor!?
-Sim, senhor sim! Ele é um ser humano como o senhor, ele tem um nome como o senhor, ele é cidadão como o senhor, ele tem direitos e deveres como o senhor...
Este "senhor" atende pelo nome de Edmundo, e creio poder chamá-lo de amigo! O Edmundo não é vagabundo, não é bandido, não é traficante, não é uma porção de coisas que imaginamos ser ao observar a foto. O senhor Edmundo é simplesmente mais um cidadão como o "senhor", como nós! A diferença é que o Edmundo não teve condições sociais e psíquicas para continuar sendo o que foi um dia. Todos nós sofremos desagradáveis conflitos na vida, porém ainda continuamos de pé! 
Conheci o Edmundo no último sábado (22/09) na rua Bahia no centro de BH. O Edmundo é um poeta fabuloso, suas poesias traduzem conflitos da alma humana, retratos do seu cotidiano, e demonstra uma sensibilidade sobre-humana da realidade física e também metafísica. 
Tentando conhecer o Edmundo eu comecei a duvidar de quem eu era. 
Suíte do Edmundo
Eu durmo sobre colchões macios e lençóis limpos e o Edmundo sobre um papelão velho; Eu durmo com um edredom quentinho e um travesseiro macio e o Edmundo com um cobertor furado e reclina a cabeça sobre uma pedra; Eu tenho o Estado de Minas a Folha de São Paulo todos os dias e o Edmundo folhas de jornais da semana passada; eu tenho uma dieta regular e o Edmundo a sobra do cachorro, quando tem!;  eu tenho família, amigos, estudo e trabalho para curar minha nostalgia, e o Edmundo a cola de sapateiro numa garrafa de Coca Cola; Eu tenho pessoas, como você, que leem os textos do meu blog, mas ninguém se interessa pelos poemas do Edmundo que são literalmente superiores aos meus!!!   (??????????)
Diante disso, fico a imaginar o que os nossos representantes políticos tem feito para mudar a história de Edmundos espalhados pelo país inteiro. Triste é acreditar que nada! Triste é perceber que tanto políticos quanto eleitores, cidadãos, cristãos, seres humanos, enfim, não enxergam o Edmundo. "Pior é o cego que não quer ver!" A nação tem o representante que merece, que elegeu e que tem a sua cara, a sua índole e caráter. Uma mudança, não vem de cima para baixo! Como construímos um prédio de 15 andares? Será que construímos o décimo quinto andar primeiro? Apesar de ser totalmente incoerente é a realidade que estamos vivendo no Brasil. Estamos construindo a nossa sociedade a partir do décimo quinto andar. A base está comprometida, está podre. E de quem é a culpa? Ora, do Edmundo é claro!
Quantos Edmundos você já fez sorrir?
Quantas vezes você já se colocou no lugar do Edmundo?
Confesso que a minha amizade com o Edmundo tem me constrangido, porém, o que seria de mim sem o constrangimento? Por isso quero lhe fazer uma proposta, vamos lançar uma campanha, a campanha "Ajude um Edmundo!" Faça um Edmundo feliz para uma sociedade melhor! Lembrando o seguinte, um ato de bondade só é válido quando feito despretensiosamente. Não adianta fazer o bem ao Edmundo simplesmente pelo fato da obrigação moral e/ou religiosa, ou pela possibilidade de ver as praças sem moradores de rua, e nem por que eu posso ser um Edmundo um dia, mas pelo simples fato de que eu não sou melhor que Edmundo nenhum!
Lembrando! Um governo honesto é feito por eleitores honestos, uma sociedade justa é feita por cidadãos justos, uma religião oblativa é feita por fiéis oblativos e um Edmundo feliz é feito por outro Edmundo feliz.
Pense nisso!
Arte Edmundesca

Felicidade Miúda



         Estamos vivendo numa época em que o tempo está mudando. Não é simplesmente uma época de mudança, mas uma mudança de época. Alguns momentos da nossa história foram marcados por essa transformação, por exemplo, a Idade Média, o período clássico Europeu e várias épocas que ficarão registradas eternamente em nossa sociedade.
         Então, esta mudança não é algo inédito, não é novidade, mas o que difere este tempo dos outros é que nesses outros momentos da história tinha-se em vista o que poderia ser de mais moderno, mais novo, e o novo era durável. Contudo, hoje a modernidade já está ultrapassada, o novo não é tão durável e o que é novidade agora, torna-se obsoleto logo amanhã.
         Acompanhar o mercado, as mudanças sociais, as novas tecnologias e as capacidades humanas têm sido tarefas árduas, pois causa confusão na capacidade antropológica do ser humano de sobreviver com aquilo que lhe é necessário. A maioria dos homens não sabem o que é essencial para a sua sobrevivência, portanto acompanhar as opções de uma sociedade excludente e capitalista tem sido a busca pela felicidade de muitos. Os que conseguem acompanhar esse processo alcançam a "felicidade", porém uma felicidade miúda, mesquinha e vazia. Todavia, os que não conseguem acompanhá-lo vivem em um mundo secundário e "não original" em busca da felicidade perfeita, infelizes e hipócritas, avarentos e ambiciosos em busca de alcançarem o primeiro nível. Contudo, o que nenhum dos dois sabem, é que ambos lotam os consultórios psiquiátricos em busca da cura que está dentro deles próprios, mas que durante toda a vida foi procurada tão longe e distante e nunca foi encontrada e nem poderá ser comprada.
         Agora vem o questionamento. Qual é a saída para tudo isso? Haverá solução? O problema maior é esse, a vida atualmente é totalmente efêmera e ainda não se pode ver uma luz no fim do túnel, ainda não somos capazes de saber onde iremos chegar e como lá chegaremos. Esse é o maior problema! Todavia, uma das coisas em que eu mais acredito é que cada dia dever ser vivido intensamente com o que ele tem a nos oferecer. Aproveitar o hoje com os presentes que ele nos tem a oferecer, pode ser uma boa maneira para aproveitar cada detalhe do dia e ser feliz de verdade.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

O valor de uma amizade


Hoje encontrei-me a refletir sobre o valor de uma amizade, daí pensei, quanto custa um amigo? Quantos fundo-fixos eu teria que economizar para adquirir uma amizade verdadeira? Quantos investimentos, aplicações? Estou sendo muito capitalista ao tentar comparar uma amizade com um investimento ou um fundo monetário. Posso então tomar a liberdade e pensar assim, quanta coisa da vida particular eu teria que deixar de fazer para construir uma amizade? Quantas vezes eu teria que deixar de ser "eu" para dedicar-me ao "outro"? Pensando assim percebi o quanto somos egoístas e buscamos amizades que nos fazem apenas desfrutar das coisas que nos interessam. Somos tolos quando não percebemos que um único amigo vale mais que toda a nossa vida, e que quem foi capaz de encontrá-lo encontrou um tesouro de inestimado valor. As vezes passamos a vida inteira e só no final dela percebemos que vivemos e não convivemos, percebemos que nos fizemos felizes, mas não permitimos que alguém nos fizesse feliz, ou melhor, descobrimos que não fizemos o "outro" feliz. Pior é quem acha que a felicidade é individual, solteira, isolada. A felicidade é coletiva, é comunitária, é conjugal. No final de tudo só chego a uma conclusão, não sou capaz de entender nem sequer compreender o real valor de uma amizade, pois a quem foi concedida tamanha graça não importa fundo fixo, investimento, capital de giro, tempo perdido, mas a vida inteira que alguém o fez feliz de forma recíproca. E no final das contas percebemos que o que realmente vale a pena é ter um amigo e ser amigo de alguém. E a vida apenas nos fará sentido quanto tivermos com quem partilha-la. Pense nisso! Um abraço amigo!

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Escolhas


PARA QUE ESCOLHER A ARMA SE EU POSSO COLHER A FLOR?

        Abri os olhos hoje com um questionamento: Para que escolher a arma se eu posso colher uma flor? É certo que não apenas meus olhos se abriram, mas também o meu coração!
         Escolher a arma é optar pela dor, tristeza e morte. Diferente de colher a flor que é querer o alívio, a alegria e a vida.
         Como preferir o desespero ao amparo?
         Loucura! Conscientemente pensamos, mas inconscientemente agimos diferente. Vivemos assim, pregando uma coisa, mas fazendo outra completamente diferente. Queremos a paz! Será que queremos mesmo? Por que então não faço eu mesmo sem esperar por terceiros?
         Para que escolher a arma se eu posso colher a flor?
         Colher a flor exige cuidados. É preciso semear, cultivar, regar, adubar, cuidar  e só depois de muito carinho é que vem o período da colheita. E escolher a arma?
         Como sou capaz de escolher o inferno ao céu? Se o céu é tão bom, por que tantos testemunhos do inferno?
         A vida é um fio sensível que requer carinho e atenção, sua ruptura poderá causar um desastre. Como há fios rompidos! Colher a flor requer amor a vida e empenho por ela.
         Por que escolher o ódio ao amor, o azar à sorte, o rancor ao perdão, se é o bem que queremos?
         Cansamos prometendo amor e fazemos sofrer, nos formamos jurando ética e somos desumanos, nos elegemos prometendo honestidade e somos corruptos. Onde queremos chegar? Onde chegamos?
         Para que escolher a arma se eu posso colher a flor?
         Tudo o que existe hoje, fora semente um dia! A semente bem cultivada gera frutos bons e belos jardins, mas uma semente desprezada torna-se desamparo a outras sementes gerando canteiros opacos, sem frutos, sem vidas que semeiam a discórdia e a guerra.
         Ainda me pergunto e grito, por que escolher a arma se eu posso colher a flor? Somos aquilo que semeamos e plantamos  não o que camuflamos ser. Se pregamos o amor, por que então colhemos tanta dor? Por quê? O discurso está vazio e fantasiado, isso de nada adianta, por isso CALE A BOCA! Se você quer viver em um mundo melhor comece a preparar bem as suas sementes e cuidar para que seus canteiros sejam repletos de vida, assim, perceberá que a vida produzida em seu canteiro atrairá outras vidas, então teremos duas nítidas opções, escolher a flor e colher a flor. Acredito que assim veremos a verdade do poeta ao encontrarmos nossos jardins repletos de lindas borboletas.
         Por que escolher a arma se eu posso colher a flor? Eis a questão!

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O Outro



         Hoje no intervalo entre a manhã e a tarde tive a oportunidade de romper a clausura e viver uma experiência única. Desconfortante, porém única. Pude descobrir um pouco mais de mim e dos outros.
         Caminhava declinadamente pela calçada adjacente a praça do centro da cidade, e a principio pensava em mim, nas minhas atitudes e de como tentava centralizar os fatos e acontecimentos na minha pessoa. Pensei como por várias vezes fiz pessoas acreditarem que a minha ideia era a melhor, ou até a verdade, sem ao menos ter escutado com atenção, e isso é um princípio de educação, a pessoa  que tentava defender sua ideia. Muitas vezes não era a ideia da pessoa que era fraca, mas a minha presunção era altamente elevada ao ponto de convencer os outros de que as minhas ideias eram mais sólidas.
         Pois bem, pensava tudo isso enquanto caminhava pela calçada, foi quando então resolvi olhar nos olhos das pessoas que cruzavam meus passos, olhei nos olhos afim de enxergar a alma e captar os sentimentos claros e ocultos de alegria, tristeza, conformação, indignação, enfim. Alguns cruzavam o meu caminho com tanta pressa que pareciam estar atrasados para um compromisso, outros caminhavam sem pressa com sua conversas fogosas sobre família, vida íntima e suas compras de natal. Isso me fez notar as particularidades de cada pessoa e o emaranhado de pensamentos que fluíam de cada um que passava naquela praça. Então, para minha surpresa, percebi-me ao olhar para a alma daquelas pessoas, a partir das suas janelas, seus olhos, que eu me colocava no lugar e na vida de cada ser humano daqueles que olhei nos olhos. Aí surgiu um conflito! Em alguns eu imaginava uma vida tranquila, metódica e serena, em outros uma vida agitada, aventureira e conflituosa, contudo, o único de vida normal era eu, mas que para os outros era uma vida diferente, para alguns especial, já para outros, uma perda de tempo. E quem está certo?
         Pude viver, mesmo que por alguns segundos, a vida dos outros, pensar e agir como eles, e então percebi que eu não era o centro do universo,  e que muitas pessoas, mas muitas pessoas mesmo, pensavam assim como eu. Percebi que o grande mal da nossa sociedade pode ser a indiferença. A pior coisa que um ser humano pode dar ao outro é o desprezo. E quase a maioria totalitária da humanidade é indiferente ao outro, estou mentindo ou exagerando? Acho que não estou! Ou você sempre ouviu o que te disseram com a mesma atenção que você gostaria de receber ao discursar sobre algo. A maioria das amizades são consórcios de ideais. Onde está a verdade? Fingimos prestar atenção nas pessoas apenas para sermos sociáveis, eis a diferença entre o escutar e o ouvir. Eu não sei você, mas eu não suporto quando estou falando com alguém e os olhos da pessoa me dizem que estão escutando outra coisa, e tudo isso se confirma quando a pessoa abre a boca quando termino meu "falatório". É incrível! Nosso principio de educação social não está mais superficial porque não pode voar.
         Portanto é importante ouvir mais os outros, ruminar suas críticas e argumentos afim de tentar tirar o essencial para a vida. Todavia, o silêncio é um grande amigo quando se quer valorizar o aprendizado, e principalmente quando nos colocamos na qualidade de aprendizes, que somos e seremos eternamente. Aquele que é capaz de perceber tamanha virtude será um bem para si próprio e para os outros, construindo assim uma sociedade de pessoas iguais e não centralizada que exclui o outro como vemos claramente na atualidade. Uma dica para começar a melhorar o nosso relacionamento já foi dada pelo grande filósofo humanista da linguagem Wittgenstein "Quando o assunto é muito sublime, cale-se".